A seis meses do fim do PRR, só 58% da ‘bazuca’ europeia foi executada


Apenas 58% dos fundos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência foram desembolsados, deixando quase 270 mil milhões de euros para executar até ao final de 2026. O levantamento é feito pela Coface que alerta que o impacto global no PIB europeu será inferior ao esperado, mas o fim da bazuca europeia será parcialmente compensado pelo SAFE.

“Os atrasos devem-se a estrangulamentos administrativos, capacidade limitada de execução e contextos políticos em mudança. A guerra na Ucrânia, a crise energética e a inflação obrigaram os países a rever os seus planos, atrasando os desembolsos”, afirma Laurine Pividal, economista da Coface para o Sul da Europa.

“As reformas exigidas em troca dos fundos, por vezes impopulares, foram adiadas ou renegociadas, como aconteceu em Espanha e Itália”, exemplifica a economista, defendendo por isso que o impacto económico da bazuca será “misto”.

Na análise, Pividal considera que Portugal, Grécia, Croácia e Itália aproveitaram melhor os fundos, “tendo em conta o progresso dos desembolsos até à data”, mas “o impacto global no PIB europeu será inferior ao esperado”.

“Segundo estimativas, o crescimento anual poderia ter sido, em média, 0,4% superior entre 2020 e 2030 se os fundos tivessem sido totalmente utilizados”, diz a economista.

“A corrida contra o tempo está a levar os governos a privilegiar projetos fáceis de implementar, em detrimento de reformas estruturais de elevado valor acrescentado”, critica a economista, acrescentando que “a subutilização ou má afetação dos fundos — através de projetos de investimento e reforma —” compromete “o seu potencial para estimular o crescimento a curto e longo prazo, num contexto orçamental já limitado”.

A questão orçamental foi precisamente o que levou Espanha a abrir mão de parte dos empréstimos – 67 mil milhões de euros dos 83 mil milhões em empréstimos do RRF. Madrid, à semelhança de outros países, considera os empréstimos da UE menos vantajosos do que os mercados financeiros, graças à melhoria do seu perfil de crédito.

A economista considera que as lacunas deixadas pelo fim do NGEU poderão ser “parcialmente compensadas por outros instrumentos, incluindo os empréstimos SAFE do programa Readiness 2030 (150 mil milhões de euros entre 2026 e 2030) para armamento”.

No entanto, tendo em conta que o âmbito de atuação é mais restrito (indústria de defesa) e “regras menos rigorosas (35% do financiamento pode ser atribuído a produtos de um país terceiro fora da UE, EEE, EFTA e Ucrânia) limitam o efeito macroeconómico em comparação com os objetivos de diversificação e transformação estrutural do NGEU”, alerta Laurine Pividal.


Apenas 58% dos fundos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência foram desembolsados, deixando quase 270 mil milhões de euros para executar até ao final de 2026. O levantamento é feito pela Coface que alerta que o impacto global no PIB europeu será inferior ao esperado, mas o fim da bazuca europeia será parcialmente compensado pelo SAFE.

“Os atrasos devem-se a estrangulamentos administrativos, capacidade limitada de execução e contextos políticos em mudança. A guerra na Ucrânia, a crise energética e a inflação obrigaram os países a rever os seus planos, atrasando os desembolsos”, afirma Laurine Pividal, economista da Coface para o Sul da Europa.

“As reformas exigidas em troca dos fundos, por vezes impopulares, foram adiadas ou renegociadas, como aconteceu em Espanha e Itália”, exemplifica a economista, defendendo por isso que o impacto económico da bazuca será “misto”.

Na análise, Pividal considera que Portugal, Grécia, Croácia e Itália aproveitaram melhor os fundos, “tendo em conta o progresso dos desembolsos até à data”, mas “o impacto global no PIB europeu será inferior ao esperado”.

“Segundo estimativas, o crescimento anual poderia ter sido, em média, 0,4% superior entre 2020 e 2030 se os fundos tivessem sido totalmente utilizados”, diz a economista.

“A corrida contra o tempo está a levar os governos a privilegiar projetos fáceis de implementar, em detrimento de reformas estruturais de elevado valor acrescentado”, critica a economista, acrescentando que “a subutilização ou má afetação dos fundos — através de projetos de investimento e reforma —” compromete “o seu potencial para estimular o crescimento a curto e longo prazo, num contexto orçamental já limitado”.

A questão orçamental foi precisamente o que levou Espanha a abrir mão de parte dos empréstimos – 67 mil milhões de euros dos 83 mil milhões em empréstimos do RRF. Madrid, à semelhança de outros países, considera os empréstimos da UE menos vantajosos do que os mercados financeiros, graças à melhoria do seu perfil de crédito.

A economista considera que as lacunas deixadas pelo fim do NGEU poderão ser “parcialmente compensadas por outros instrumentos, incluindo os empréstimos SAFE do programa Readiness 2030 (150 mil milhões de euros entre 2026 e 2030) para armamento”.

No entanto, tendo em conta que o âmbito de atuação é mais restrito (indústria de defesa) e “regras menos rigorosas (35% do financiamento pode ser atribuído a produtos de um país terceiro fora da UE, EEE, EFTA e Ucrânia) limitam o efeito macroeconómico em comparação com os objetivos de diversificação e transformação estrutural do NGEU”, alerta Laurine Pividal.



source https://eco.sapo.pt/2026/01/22/a-seis-meses-do-fim-do-prr-so-58-da-bazuca-europeia-foi-executada/