Bondalti desiste de agenda do PRR. Consórcio vai devolver quase 14 milhões


A Bondalti desistiu da agenda mobilizadora que liderava, a H2Enable, apurou o ECO. A desistência foi comunicada ao IAPMEI e agora todos os elementos do consórcio são obrigados a devolver as verbas já recebidas. Em causa estão 13,86 milhões de euros correspondentes aos 23% adiantados aos vários elementos do consórcio.

A H2Enable tinha como objetivo a construção de uma infraestrutura para a produção de hidrogénio verde no complexo químico de Estarreja. O consórcio era liderado pela Bondalti, uma empresa do Grupo José de Mello, e incluía outros parceiros, como a Air Liquide, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a APQuímica e a HyLab. Em causa estava um investimento de 146,59 milhões de euros, que contava com um apoio de 60,26 milhões do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Ao contrário das restantes agendas do PRR para a área da energia, a Bondalti optou por não pedir para reprogramar a agenda mobilizadora que liderava, nomeadamente para reduzir a ambição da agenda ou alargar o prazo de execução para junho de 2026. Esta janela de oportunidade surgiu na sequência do exercício de reprogramação das agendas mobilizadoras, que resultou num reforço de 319 milhões de euros.

Nessa altura, o ECO pediu à empresa para justificar essa opção, mas a resposta foi negativa. “Nesta fase, esses temas ainda estão em aberto e em discussão e a Bondalti não tem nenhum comentário a fazer”, limitou-se a responder fonte oficial da empresa.

A opção acabou por ser desistir da agenda que visava acelerar e transformar a cadeia de valor do hidrogénio verde em Portugal, a partir do complexo químico de Estarreja. Uma decisão que foi comunicada ao IAPMEI no final de 2025. “O IAPMEI informa que a Agenda 42 – H2Enable – The Hydrogen Way for Our Chemical Future foi objeto de desistência, conforme comunicado pelo promotor líder da agenda a 30 de dezembro”, confirmou ao ECO fonte oficial do instituto liderado por José Pulido Valente.

O IAPMEI informa que a Agenda 42 – H2Enable – The Hydrogen Way for Our Chemical Future foi objeto de desistência, conforme comunicado pelo promotor líder da agenda a 30 de dezembro.

Fonte oficial IAPMEI

A produção de hidrogénio verde ainda não é um mercado maduro. Há muitos projetos a caírem ou a diminuírem a ambição, quer em Portugal, quer noutros países. Há muita indefinição e incertezas quanto às tecnologias de produção e dos elevados custos financeiros. Estas podem ter sido algumas das razões que levaram o grupo José de Mello a desistir desta agenda. O ECO questionou a empresa, mas não recebeu resposta até à publicação deste artigo.

“Após a desistência, a Bondalti, assim como os restantes membros do consórcio, está obrigada à devolução do incentivo recebido”, explicou a mesma fonte oficial do IAPMEI, acrescentado que o instituto público “já notificou o líder da Agenda para a reposição dos apoios recebidos”.

Nesta agenda, a Bondalti tinha recebido 13,5 milhões dos cerca de 56 milhões de euros atribuídos, de acordo com informação do portal Mais Transparência datada de setembro do ano passado. As verbas foram recebidas maioritariamente pela Bondalti H2 e uma parte residual (778,37 mil euros) pela Bondalti Chemicals.

Presentemente, o portal não apresenta quaisquer informações sobre a H2Enable e, por isso, não é possível saber o montante global que os vários membros do consórcio vão ter de devolver. Mas, ao que o ECO apurou, a agenda nunca chegou a apresentar qualquer pedido de pagamento e por isso terá recebido apenas 23% do valor elegível, ou seja, 13,86 milhões de euros.

Sem avançar os montantes em causa, fonte oficial do IAPMEI explicou apenas ao ECO que o “valor será descativado, podendo ser reafeto a outras Agendas que tenham beneficiado de reforço de incentivo no âmbito da reprogramação aprovada ou, em última instância, a outras componentes do PRR”.

O valor será descativado, podendo ser reafeto a outras Agendas que tenham beneficiado de reforço de incentivo no âmbito da reprogramação aprovada ou, em última instância, a outras componentes do PRR.

Fonte oficial IAPMEI

Das 52 agendas mobilizadoras, 37 pediram para ser reprogramadas, o que resultou num reforço de 319 milhões de euros. Foi no setor da aeronáutica e do espaço que esse reforço foi mais significativo: 369,94 milhões de euros.

Esta desistência da Bondalti, que reduz o número total de agendas para 51, “não terá impacto no cumprimento dos marcos e metas do PRR, até porque o incentivo previsto nesta agenda representava menos de 2% do total”, garante fonte oficial do IAPMEI.

Portugal assumiu o compromisso com Bruxelas criar 963 novos produtos, processos ou serviços (PPS) no âmbito das agendas mobilizadoras e, na sequência da reprogramação os consórcios estão a propor criar 1.263 produtos e serviços.

A Bondalti desistiu ainda da participação numa outra agenda que integrava – a H2Driven, mas da qual ainda não tinha recebido qualquer adiantamento. Uma agenda que inicialmente era liderada pela Efacec, mas depois passou a ter a Capwatt na liderança.

Tal como ECO noticiou, esta agenda no âmbito da reprogramação reduziu a ambição em 43,3 milhões de euros. Assim a agenda vai receber apenas 50,16 milhões de euros do PRR. A H2Driven, que tem como objetivo inicial a produção de metanol verde para a descarbonização da indústria e da mobilidade pesada, foi a segunda agenda com a maior revisão em baixa em termos de financiamento.

A Bondalti passa assim a estar presente em apenas uma agenda mobilizadora, a NGS – New Generation Store, com o valor de 110,71 milhões de euros e liderada pela DST Solar. No âmbito desta agenda, a Bondalti já recebeu 544,61 mil dos 885,63 mil euros que lhe foram atribuídos.

Contudo, a Bondalti tem apoio do PRR num outro projeto – o RePower Chemicals, no âmbito do qual concluiu um investimento de 41 milhões de euros, “um dos maiores investimentos na sua história”. Mas não se trata de uma agenda mobilizadora (C5), está inserido na componente de descarbonização da indústria (C11).

O projeto RePower Chemicals tem um apoio do PRR de 30,84 milhões de euros para reduzir o impacto ambiental dos processos produtivos do complexo industrial de Estarreja, com vista a melhorar a sua independência e eficiência energética. De acordo com o portal Mais Transparência, a empresa química do universo José de Mello já recebeu 23,06 milhões.

À data não há agendas em risco

Questionada sobre se, na sequência do comboio de depressões que assolou Portugal, sobretudo na zona centro onde está concentrada grande parte da indústria nacional, haveria agendas em risco de serem canceladas, fonte oficial do IAPMEI disse que “à data de hoje não se identifica qualquer outra agenda em risco, sendo que está em curso o levantamento junto de todas as Agendas de eventuais danos causados pela situação de calamidade”.

Tal como o ECO avançou, o IAPMEI está a fazer uma ronda por todas as agendas mobilizadoras para avaliar os impactos do comboio de depressões que tem fustigado sobretudo a zona centro do país onde se concentra grande parte da indústria nacional.

à data de hoje não se identifica qualquer outra agenda em risco, sendo que está em curso o levantamento junto de todas as Agendas de eventuais danos causados pela situação de calamidade.

Fonte oficial IAPMEI

Aos líderes de cada consórcio foi incumbida a tarefa de fazer o levantamento do ponto de situação de todas as entidades que compõem cada agenda. O objetivo é recolher informações para ajudar a traçar um quadro global dos impactos que neste momento ainda não é conhecido.

Do lado das empresas, a grande preocupação é a recuperação das infraestruturas danificadas para que possam voltar a laborar com alguma normalidade. Os custos — que numa estimativa muito preliminar já ascendem a quatro mil milhões de euros, segundo o ministro da Economia — poderão ter uma segunda onda de impacto (que ainda não é possível de contabilizar) porque há empresas que podem comprometer o desempenho de outras ao interromper as cadeias de abastecimento.


A Bondalti desistiu da agenda mobilizadora que liderava, a H2Enable, apurou o ECO. A desistência foi comunicada ao IAPMEI e agora todos os elementos do consórcio são obrigados a devolver as verbas já recebidas. Em causa estão 13,86 milhões de euros correspondentes aos 23% adiantados aos vários elementos do consórcio.

A H2Enable tinha como objetivo a construção de uma infraestrutura para a produção de hidrogénio verde no complexo químico de Estarreja. O consórcio era liderado pela Bondalti, uma empresa do Grupo José de Mello, e incluía outros parceiros, como a Air Liquide, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a APQuímica e a HyLab. Em causa estava um investimento de 146,59 milhões de euros, que contava com um apoio de 60,26 milhões do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Ao contrário das restantes agendas do PRR para a área da energia, a Bondalti optou por não pedir para reprogramar a agenda mobilizadora que liderava, nomeadamente para reduzir a ambição da agenda ou alargar o prazo de execução para junho de 2026. Esta janela de oportunidade surgiu na sequência do exercício de reprogramação das agendas mobilizadoras, que resultou num reforço de 319 milhões de euros.

Nessa altura, o ECO pediu à empresa para justificar essa opção, mas a resposta foi negativa. “Nesta fase, esses temas ainda estão em aberto e em discussão e a Bondalti não tem nenhum comentário a fazer”, limitou-se a responder fonte oficial da empresa.

A opção acabou por ser desistir da agenda que visava acelerar e transformar a cadeia de valor do hidrogénio verde em Portugal, a partir do complexo químico de Estarreja. Uma decisão que foi comunicada ao IAPMEI no final de 2025. “O IAPMEI informa que a Agenda 42 – H2Enable – The Hydrogen Way for Our Chemical Future foi objeto de desistência, conforme comunicado pelo promotor líder da agenda a 30 de dezembro”, confirmou ao ECO fonte oficial do instituto liderado por José Pulido Valente.

O IAPMEI informa que a Agenda 42 – H2Enable – The Hydrogen Way for Our Chemical Future foi objeto de desistência, conforme comunicado pelo promotor líder da agenda a 30 de dezembro.

Fonte oficial IAPMEI

A produção de hidrogénio verde ainda não é um mercado maduro. Há muitos projetos a caírem ou a diminuírem a ambição, quer em Portugal, quer noutros países. Há muita indefinição e incertezas quanto às tecnologias de produção e dos elevados custos financeiros. Estas podem ter sido algumas das razões que levaram o grupo José de Mello a desistir desta agenda. O ECO questionou a empresa, mas não recebeu resposta até à publicação deste artigo.

“Após a desistência, a Bondalti, assim como os restantes membros do consórcio, está obrigada à devolução do incentivo recebido”, explicou a mesma fonte oficial do IAPMEI, acrescentado que o instituto público “já notificou o líder da Agenda para a reposição dos apoios recebidos”.

Nesta agenda, a Bondalti tinha recebido 13,5 milhões dos cerca de 56 milhões de euros atribuídos, de acordo com informação do portal Mais Transparência datada de setembro do ano passado. As verbas foram recebidas maioritariamente pela Bondalti H2 e uma parte residual (778,37 mil euros) pela Bondalti Chemicals.

Presentemente, o portal não apresenta quaisquer informações sobre a H2Enable e, por isso, não é possível saber o montante global que os vários membros do consórcio vão ter de devolver. Mas, ao que o ECO apurou, a agenda nunca chegou a apresentar qualquer pedido de pagamento e por isso terá recebido apenas 23% do valor elegível, ou seja, 13,86 milhões de euros.

Sem avançar os montantes em causa, fonte oficial do IAPMEI explicou apenas ao ECO que o “valor será descativado, podendo ser reafeto a outras Agendas que tenham beneficiado de reforço de incentivo no âmbito da reprogramação aprovada ou, em última instância, a outras componentes do PRR”.

O valor será descativado, podendo ser reafeto a outras Agendas que tenham beneficiado de reforço de incentivo no âmbito da reprogramação aprovada ou, em última instância, a outras componentes do PRR.

Fonte oficial IAPMEI

Das 52 agendas mobilizadoras, 37 pediram para ser reprogramadas, o que resultou num reforço de 319 milhões de euros. Foi no setor da aeronáutica e do espaço que esse reforço foi mais significativo: 369,94 milhões de euros.

Esta desistência da Bondalti, que reduz o número total de agendas para 51, “não terá impacto no cumprimento dos marcos e metas do PRR, até porque o incentivo previsto nesta agenda representava menos de 2% do total”, garante fonte oficial do IAPMEI.

Portugal assumiu o compromisso com Bruxelas criar 963 novos produtos, processos ou serviços (PPS) no âmbito das agendas mobilizadoras e, na sequência da reprogramação os consórcios estão a propor criar 1.263 produtos e serviços.

A Bondalti desistiu ainda da participação numa outra agenda que integrava – a H2Driven, mas da qual ainda não tinha recebido qualquer adiantamento. Uma agenda que inicialmente era liderada pela Efacec, mas depois passou a ter a Capwatt na liderança.

Tal como ECO noticiou, esta agenda no âmbito da reprogramação reduziu a ambição em 43,3 milhões de euros. Assim a agenda vai receber apenas 50,16 milhões de euros do PRR. A H2Driven, que tem como objetivo inicial a produção de metanol verde para a descarbonização da indústria e da mobilidade pesada, foi a segunda agenda com a maior revisão em baixa em termos de financiamento.

A Bondalti passa assim a estar presente em apenas uma agenda mobilizadora, a NGS – New Generation Store, com o valor de 110,71 milhões de euros e liderada pela DST Solar. No âmbito desta agenda, a Bondalti já recebeu 544,61 mil dos 885,63 mil euros que lhe foram atribuídos.

Contudo, a Bondalti tem apoio do PRR num outro projeto – o RePower Chemicals, no âmbito do qual concluiu um investimento de 41 milhões de euros, “um dos maiores investimentos na sua história”. Mas não se trata de uma agenda mobilizadora (C5), está inserido na componente de descarbonização da indústria (C11).

O projeto RePower Chemicals tem um apoio do PRR de 30,84 milhões de euros para reduzir o impacto ambiental dos processos produtivos do complexo industrial de Estarreja, com vista a melhorar a sua independência e eficiência energética. De acordo com o portal Mais Transparência, a empresa química do universo José de Mello já recebeu 23,06 milhões.

À data não há agendas em risco

Questionada sobre se, na sequência do comboio de depressões que assolou Portugal, sobretudo na zona centro onde está concentrada grande parte da indústria nacional, haveria agendas em risco de serem canceladas, fonte oficial do IAPMEI disse que “à data de hoje não se identifica qualquer outra agenda em risco, sendo que está em curso o levantamento junto de todas as Agendas de eventuais danos causados pela situação de calamidade”.

Tal como o ECO avançou, o IAPMEI está a fazer uma ronda por todas as agendas mobilizadoras para avaliar os impactos do comboio de depressões que tem fustigado sobretudo a zona centro do país onde se concentra grande parte da indústria nacional.

à data de hoje não se identifica qualquer outra agenda em risco, sendo que está em curso o levantamento junto de todas as Agendas de eventuais danos causados pela situação de calamidade.

Fonte oficial IAPMEI

Aos líderes de cada consórcio foi incumbida a tarefa de fazer o levantamento do ponto de situação de todas as entidades que compõem cada agenda. O objetivo é recolher informações para ajudar a traçar um quadro global dos impactos que neste momento ainda não é conhecido.

Do lado das empresas, a grande preocupação é a recuperação das infraestruturas danificadas para que possam voltar a laborar com alguma normalidade. Os custos — que numa estimativa muito preliminar já ascendem a quatro mil milhões de euros, segundo o ministro da Economia — poderão ter uma segunda onda de impacto (que ainda não é possível de contabilizar) porque há empresas que podem comprometer o desempenho de outras ao interromper as cadeias de abastecimento.



source https://eco.sapo.pt/2026/02/18/bondalti-desiste-de-agenda-do-prr-consorcio-vai-devolver-quase-14-milhoes/