Novo Horizonte Europa: mais ambição, mais orçamento e foco estratégico reforçado


O ano de 2025 ficou registado como um ano de viragem na definição do futuro da política europeia de investigação, desenvolvimento e inovação. Em poucos meses, o que começou com dúvidas sobre a própria continuidade de um programa‑quadro autónomo, terminou com a apresentação de uma proposta ambiciosa da Comissão Europeia (CE): um novo Horizonte Europa, correspondente ao Framework Programme 10, com um orçamento de 175 mil milhões de euros para 2028‑2034 – que corresponde a um aumento de 80 mil milhões comparativamente ao período atualmente em execução.

No início de 2025, a hipótese de integrar o Horizonte Europa num fundo mais alargado – o Fundo Europeu de Competitividade – levantou preocupações sobre a preservação do investimento em investigação fundamental e da independência do Conselho Europeu de Investigação. A posição firme do Parlamento Europeu levou ao compromisso de manter o programa‑quadro como instrumento autónomo mas, ainda assim, muito articulado com o Fundo Europeu de Competitividade.

A proposta apresentada pela CE assenta, assim, numa estrutura organizada em quatro pilares: (i) ciência de excelência, (ii) competitividade e sociedade, (iii) inovação e (iv) Espaço Europeu de Investigação. O Conselho Europeu de Investigação (ERC) terá um papel ampliado no apoio à ciência de ponta, enquanto o Conselho Europeu de Inovação (EIC) verá expandida a sua capacidade de financiar tecnologias disruptivas e projetos de maior risco, incluindo os de dupla utilização: civil e de defesa.

A Comissão introduzirá igualmente um novo conceito – moonshot projects – que consiste em iniciativas de grande escala destinadas a acelerar o desenvolvimento e demonstração de tecnologias críticas para a Europa, em áreas estratégicas como aviação limpa, computação quântica, inteligência artificial de próxima geração, energia de fusão, mobilidade autónoma, terapias regenerativas, economia espacial e observação oceânica.

Para operacionalizar estas prioridades, a CE prevê o seguinte:

  • Reforço do orçamento do ERC e das Ações Marie Skłodowska‑Curie com o objetivo de aumentar a capacidade de atração e retenção dos melhores investigadores na Europa (tal traduzir‑se‑á possivelmente em mais financiamento, mais bolsas e melhor apoio e condições para quem faz investigação);
  • Articulação estreita entre investigação colaborativa e o Fundo Europeu de Competitividade, garantindo talvez um maior alinhamento estratégico em setores de competitividade industrial que promovam a independência europeia;
  • Expansão do EIC, com modelos de financiamento inspirados em agências de renome internacional, cujo intuito poderá ser promover avaliações mais ágeis e capazes de acelerar ou terminar projetos conforme os resultados.

O programa talvez introduzirá uma abordagem mais simplificada, com menos tópicos, processos mais ágeis e tempos de decisão encurtados.

O reforço de financiamento poderá dar também resposta a uma das principais preocupações da comunidade científica internacional: as baixas taxas de sucesso do atual programa‑quadro. O investimento das empresas e equipas de investigação ao candidatarem‑se ao Horizonte Europa, é alto, sendo que há riscos do retorno nem sempre se traduzir na atribuição de financiamento por parte da CE. A dimensão, complexidade e orientação estratégica do novo Horizonte Europa criarão possivelmente novas oportunidades para empresas, universidades e centros de investigação, na medida em que o aumento do orçamento poderá ter como potencial consequência o aumento das taxas de sucesso.

A capacidade de estruturar projetos competitivos, alinhar estratégias com as prioridades europeias e aceder a este instrumento financeiro poderá será determinante para tirar partido deste novo pacote de investimento.

Neste contexto, torna‑se particularmente importante procurar apoio especializado para a interpretação de prioridades europeias, estruturar investimentos tecnológicos e preparar candidaturas, para tentar tirar melhor partido deste pacote financeiro altamente aliciante.


O ano de 2025 ficou registado como um ano de viragem na definição do futuro da política europeia de investigação, desenvolvimento e inovação. Em poucos meses, o que começou com dúvidas sobre a própria continuidade de um programa‑quadro autónomo, terminou com a apresentação de uma proposta ambiciosa da Comissão Europeia (CE): um novo Horizonte Europa, correspondente ao Framework Programme 10, com um orçamento de 175 mil milhões de euros para 2028‑2034 – que corresponde a um aumento de 80 mil milhões comparativamente ao período atualmente em execução.

No início de 2025, a hipótese de integrar o Horizonte Europa num fundo mais alargado – o Fundo Europeu de Competitividade – levantou preocupações sobre a preservação do investimento em investigação fundamental e da independência do Conselho Europeu de Investigação. A posição firme do Parlamento Europeu levou ao compromisso de manter o programa‑quadro como instrumento autónomo mas, ainda assim, muito articulado com o Fundo Europeu de Competitividade.

A proposta apresentada pela CE assenta, assim, numa estrutura organizada em quatro pilares: (i) ciência de excelência, (ii) competitividade e sociedade, (iii) inovação e (iv) Espaço Europeu de Investigação. O Conselho Europeu de Investigação (ERC) terá um papel ampliado no apoio à ciência de ponta, enquanto o Conselho Europeu de Inovação (EIC) verá expandida a sua capacidade de financiar tecnologias disruptivas e projetos de maior risco, incluindo os de dupla utilização: civil e de defesa.

A Comissão introduzirá igualmente um novo conceito – moonshot projects – que consiste em iniciativas de grande escala destinadas a acelerar o desenvolvimento e demonstração de tecnologias críticas para a Europa, em áreas estratégicas como aviação limpa, computação quântica, inteligência artificial de próxima geração, energia de fusão, mobilidade autónoma, terapias regenerativas, economia espacial e observação oceânica.

Para operacionalizar estas prioridades, a CE prevê o seguinte:

  • Reforço do orçamento do ERC e das Ações Marie Skłodowska‑Curie com o objetivo de aumentar a capacidade de atração e retenção dos melhores investigadores na Europa (tal traduzir‑se‑á possivelmente em mais financiamento, mais bolsas e melhor apoio e condições para quem faz investigação);
  • Articulação estreita entre investigação colaborativa e o Fundo Europeu de Competitividade, garantindo talvez um maior alinhamento estratégico em setores de competitividade industrial que promovam a independência europeia;
  • Expansão do EIC, com modelos de financiamento inspirados em agências de renome internacional, cujo intuito poderá ser promover avaliações mais ágeis e capazes de acelerar ou terminar projetos conforme os resultados.

O programa talvez introduzirá uma abordagem mais simplificada, com menos tópicos, processos mais ágeis e tempos de decisão encurtados.

O reforço de financiamento poderá dar também resposta a uma das principais preocupações da comunidade científica internacional: as baixas taxas de sucesso do atual programa‑quadro. O investimento das empresas e equipas de investigação ao candidatarem‑se ao Horizonte Europa, é alto, sendo que há riscos do retorno nem sempre se traduzir na atribuição de financiamento por parte da CE. A dimensão, complexidade e orientação estratégica do novo Horizonte Europa criarão possivelmente novas oportunidades para empresas, universidades e centros de investigação, na medida em que o aumento do orçamento poderá ter como potencial consequência o aumento das taxas de sucesso.

A capacidade de estruturar projetos competitivos, alinhar estratégias com as prioridades europeias e aceder a este instrumento financeiro poderá será determinante para tirar partido deste novo pacote de investimento.

Neste contexto, torna‑se particularmente importante procurar apoio especializado para a interpretação de prioridades europeias, estruturar investimentos tecnológicos e preparar candidaturas, para tentar tirar melhor partido deste pacote financeiro altamente aliciante.



source https://eco.sapo.pt/opiniao/novo-horizonte-europa-mais-ambicao-mais-orcamento-e-foco-estrategico-reforcado/