Muitas vezes, ao falarmos de fundos públicos, seja do Portugal 2030, do Horizonte Europa ou do Fundo Europeu de Defesa, perdemo-nos em siglas, regulamentos e documentos orçamentais. Corremos o risco de esquecer que, por detrás de cada linha de financiamento, existe uma visão. Seja esta curar uma doença, proteger o planeta, promover a educação de um jovem investigador ou tornar uma empresa mais competitiva num mundo altamente concorrencial.

Os fundos não são uma oportunidade passageira, são o combustível para o futuro que queremos construir. Contudo, a questão que hoje mais se coloca é “quem são as pessoas e as organizações que estão verdadeiramente preparadas para transformar esse capital em progresso real?”.

Durante demasiado tempo, vivemos na cultura da reação. O aviso de candidatura abria e instalava-se o caos. O que resultava em equipas exaustas a tentar “encaixar” ideias em formulários complexos, processos de última hora. Esta abordagem é desgastante e estrategicamente frágil.

Hoje, num contexto de concorrência feroz, onde propostas brilhantes ficam à porta por décimas, o diferencial mudou. Não está no formulário, mas na maturação. As organizações que gerem de melhor forma esta questão são as que não esperam pelo aviso. Desenvolvem as suas ideias estrategicamente, criando um pipeline de projetos e ideias. Já sabem que parcerias querem reforçar e que impacto pretendem deixar na sociedade. Desenvolvem ideias em diferentes níveis de maturidade e inovação, já alinhadas com a estratégia da organização, com prioridades públicas e tendências de mercado. Quando a oportunidade surge, decidem com clareza, porque o trabalho mais difícil, o de pensar e alinhar, já foi feito com tempo e serenidade.

Gestão de candidaturas não é lidar com a burocracia. Na verdade, estamos a falar de uma nova competência, a de saber traduzir visões em realidade financiada. Muitas organizações já reconhecem a sua importância e criam funções adequadas. A Comissão Europeia tem apoiado a profissionalização dos research managers.

Reforçar competências internas não é apenas contratar alguém para preencher papéis. É investir em profissionais capazes de dialogar com especialistas externos, de escutar o ecossistema e de unir departamentos que raramente comunicam. É dar voz a quem consegue ligar o laboratório ao mercado, e a produção à gestão financeira. É, acima de tudo, valorizar o talento interno para que este saiba interpretar o mundo e as suas tendências, e assim vender os melhores projetos.

Ninguém inova sozinho. Uma organização preparada é uma organização aberta, capaz de conversar com especialistas externos sem perder a sua identidade. Ter alguém qualificado “dentro de casa” não serve para fechar portas, mas para saber quais as portas que terá de abrir. Melhora a qualidade das decisões da administração e, mais importante, garante que a alma do projeto se mantém viva desde a ideia inicial até à execução final.

Os próximos anos vão trazer novos desafios e novas siglas, quer seja o atual PTRR, até ao futuro AGILE. Mas a minha convicção permanece a mesma, as organizações não vão competir apenas pelo dinheiro, vão competir pela sua capacidade de preparação. Cientes que quando o aviso abre o relógio não para. E neste momento, a diferença entre o sucesso e a frustração reside na disciplina, no método e na dedicação dos envolvidos que, meses antes, compreenderam que preparar o futuro era mais importante do que apenas reagir ao presente.


Muitas vezes, ao falarmos de fundos públicos, seja do Portugal 2030, do Horizonte Europa ou do Fundo Europeu de Defesa, perdemo-nos em siglas, regulamentos e documentos orçamentais. Corremos o risco de esquecer que, por detrás de cada linha de financiamento, existe uma visão. Seja esta curar uma doença, proteger o planeta, promover a educação de um jovem investigador ou tornar uma empresa mais competitiva num mundo altamente concorrencial.

Os fundos não são uma oportunidade passageira, são o combustível para o futuro que queremos construir. Contudo, a questão que hoje mais se coloca é “quem são as pessoas e as organizações que estão verdadeiramente preparadas para transformar esse capital em progresso real?”.

Durante demasiado tempo, vivemos na cultura da reação. O aviso de candidatura abria e instalava-se o caos. O que resultava em equipas exaustas a tentar “encaixar” ideias em formulários complexos, processos de última hora. Esta abordagem é desgastante e estrategicamente frágil.

Hoje, num contexto de concorrência feroz, onde propostas brilhantes ficam à porta por décimas, o diferencial mudou. Não está no formulário, mas na maturação. As organizações que gerem de melhor forma esta questão são as que não esperam pelo aviso. Desenvolvem as suas ideias estrategicamente, criando um pipeline de projetos e ideias. Já sabem que parcerias querem reforçar e que impacto pretendem deixar na sociedade. Desenvolvem ideias em diferentes níveis de maturidade e inovação, já alinhadas com a estratégia da organização, com prioridades públicas e tendências de mercado. Quando a oportunidade surge, decidem com clareza, porque o trabalho mais difícil, o de pensar e alinhar, já foi feito com tempo e serenidade.

Gestão de candidaturas não é lidar com a burocracia. Na verdade, estamos a falar de uma nova competência, a de saber traduzir visões em realidade financiada. Muitas organizações já reconhecem a sua importância e criam funções adequadas. A Comissão Europeia tem apoiado a profissionalização dos research managers.

Reforçar competências internas não é apenas contratar alguém para preencher papéis. É investir em profissionais capazes de dialogar com especialistas externos, de escutar o ecossistema e de unir departamentos que raramente comunicam. É dar voz a quem consegue ligar o laboratório ao mercado, e a produção à gestão financeira. É, acima de tudo, valorizar o talento interno para que este saiba interpretar o mundo e as suas tendências, e assim vender os melhores projetos.

Ninguém inova sozinho. Uma organização preparada é uma organização aberta, capaz de conversar com especialistas externos sem perder a sua identidade. Ter alguém qualificado “dentro de casa” não serve para fechar portas, mas para saber quais as portas que terá de abrir. Melhora a qualidade das decisões da administração e, mais importante, garante que a alma do projeto se mantém viva desde a ideia inicial até à execução final.

Os próximos anos vão trazer novos desafios e novas siglas, quer seja o atual PTRR, até ao futuro AGILE. Mas a minha convicção permanece a mesma, as organizações não vão competir apenas pelo dinheiro, vão competir pela sua capacidade de preparação. Cientes que quando o aviso abre o relógio não para. E neste momento, a diferença entre o sucesso e a frustração reside na disciplina, no método e na dedicação dos envolvidos que, meses antes, compreenderam que preparar o futuro era mais importante do que apenas reagir ao presente.



source https://eco.sapo.pt/opiniao/fundos-publicos-competir-pela-preparacao/