Incentivos europeus e M&A: Disciplina estratégica para aproveitar uma oportunidade rara


Representando cerca de 600 mil empregos e 20% do PIB, a nossa indústria vive um período volátil e com inúmeros desafios, criados pelas tensões geopolíticas e pelas alterações de hábitos de consumo, entre outros, mas ao mesmo tempo – e para muitos subsetores – um período invulgarmente rico em oportunidades de crescimento e transformação dos modelos de negócio.

Os estímulos à recuperação/reforço da capacidade instalada têm contribuído também para atrair o interesse de mais investidores – estratégicos e financeiros, nacionais e internacionais – pelas nossas empresas industriais, que de um modo geral são percecionadas como oferecendo segurança, talento e uma relação custo‑qualidade competitiva a nível europeu.

Das interações diárias que mantemos com estes investidores e empresas, concluímos que subsetores como a indústria metalomecânica, os materiais de construção e, de forma mais abrangente, toda a fileira da indústria transformadora orientada para produtos de maior valor acrescentado e capacidade exportadora, despertam particular interesse. A estes juntam-se ainda áreas de serviços com margens mais elevadas, nomeadamente os setores da saúde, dos serviços de engenharia e de software, entre outros.

O interesse por estas empresas aumenta significativamente – tanto em número de investidores como em potencial de valorização – à medida que estas empresas ganham escala e através da atração de novos fundos se tornam inclusive capazes de se constituírem como plataformas com capacidade financeira, técnica e de gestão para adquirirem concorrentes, promovendo movimentos de integração vertical, geradores de valor e de ganhos de competitividade global.

Setores estimulados a cooperar, através por exemplo das agendas mobilizadoras que beneficiam de financiamento potencial de até 2,9 mil milhões de Euros aprovados no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), tendem também a gerar/fortalecer alianças que são capazes de evoluir para operações de consolidação. Num contexto em que a autonomia industrial europeia exige escala, o M&A (fusões e aquisições) surge como instrumento natural de reforço competitivo.

As organizações precisam, por isto, de navegar bem nas oportunidades, mas também na complexidade regulatória dos fundos europeus e, simultaneamente, na complexidade estratégica inerente às decisões de crescimento orgânico, alianças estratégicas e operações de concentração (M&A), munindo-se de conhecimento, competências e disciplina que lhes permita detetar e trabalhar a avaliação de oportunidades e a correta execução e monitorização das mesmas.

Portugal tem em mãos uma oportunidade rara: captar investimento industrial num momento em que a Europa procura proximidade, resiliência e talento. O desafio não está apenas em aceder aos Fundos Europeus, mas em utilizá‑los para reforçar a competitividade estrutural, acelerando assim movimentos que podem passar por alianças e operações de M&A, que ajudam a consolidar um ecossistema industrial mais robusto e preparado para competir globalmente.


Representando cerca de 600 mil empregos e 20% do PIB, a nossa indústria vive um período volátil e com inúmeros desafios, criados pelas tensões geopolíticas e pelas alterações de hábitos de consumo, entre outros, mas ao mesmo tempo – e para muitos subsetores – um período invulgarmente rico em oportunidades de crescimento e transformação dos modelos de negócio.

Os estímulos à recuperação/reforço da capacidade instalada têm contribuído também para atrair o interesse de mais investidores – estratégicos e financeiros, nacionais e internacionais – pelas nossas empresas industriais, que de um modo geral são percecionadas como oferecendo segurança, talento e uma relação custo‑qualidade competitiva a nível europeu.

Das interações diárias que mantemos com estes investidores e empresas, concluímos que subsetores como a indústria metalomecânica, os materiais de construção e, de forma mais abrangente, toda a fileira da indústria transformadora orientada para produtos de maior valor acrescentado e capacidade exportadora, despertam particular interesse. A estes juntam-se ainda áreas de serviços com margens mais elevadas, nomeadamente os setores da saúde, dos serviços de engenharia e de software, entre outros.

O interesse por estas empresas aumenta significativamente – tanto em número de investidores como em potencial de valorização – à medida que estas empresas ganham escala e através da atração de novos fundos se tornam inclusive capazes de se constituírem como plataformas com capacidade financeira, técnica e de gestão para adquirirem concorrentes, promovendo movimentos de integração vertical, geradores de valor e de ganhos de competitividade global.

Setores estimulados a cooperar, através por exemplo das agendas mobilizadoras que beneficiam de financiamento potencial de até 2,9 mil milhões de Euros aprovados no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), tendem também a gerar/fortalecer alianças que são capazes de evoluir para operações de consolidação. Num contexto em que a autonomia industrial europeia exige escala, o M&A (fusões e aquisições) surge como instrumento natural de reforço competitivo.

As organizações precisam, por isto, de navegar bem nas oportunidades, mas também na complexidade regulatória dos fundos europeus e, simultaneamente, na complexidade estratégica inerente às decisões de crescimento orgânico, alianças estratégicas e operações de concentração (M&A), munindo-se de conhecimento, competências e disciplina que lhes permita detetar e trabalhar a avaliação de oportunidades e a correta execução e monitorização das mesmas.

Portugal tem em mãos uma oportunidade rara: captar investimento industrial num momento em que a Europa procura proximidade, resiliência e talento. O desafio não está apenas em aceder aos Fundos Europeus, mas em utilizá‑los para reforçar a competitividade estrutural, acelerando assim movimentos que podem passar por alianças e operações de M&A, que ajudam a consolidar um ecossistema industrial mais robusto e preparado para competir globalmente.



source https://eco.sapo.pt/opiniao/incentivos-europeus-e-ma-disciplina-estrategica-para-aproveitar-uma-oportunidade-rara/