
Um candeeiro que ajuda as pessoas a vigiar a epilepsia durante a noite. Esta é a ideia de Vicente Mayer Garção, CEO da Lampsy Health, que conseguiu um apoio do pré-acelerador do Conselho Europeu para a Inovação. São 350 mil euros que vão ajudar a startup no desenvolvimento e investigação e cujo contrato de financiamento vai agora ser assinado.
A ideia já existe desde 2020 e começou com um candeeiro do Ikea que Vicente fez com o pai, numa garagem. Desde então fez um mestrado, um doutoramento e o projeto foi ganhando solidez “para uma coisa mesmo a sério”, um protótipo. No último ano e meio, está pronto “para construir uma solução industrializável”.
O candeeiro foi logo a primeira ideia para este dispositivo que pretende detetar e registar movimentos associados a crises de epilepsia. Mas houve outras como uma moldura, uma coluna, sempre com o objetivo de “ser invisível”. “Gostávamos mais do candeeiro, mas deixámos tudo assim aberto. Fizemos inquéritos a pessoas com epilepsia, cuidadores, etc e deixámo-los escolher. Por acaso escolheram mais o candeeiro”, conta o jovem CEO em entrevista ao ECO.
“É uma coisa que tem naturalmente no seu quarto, na sua casa e, portanto, mais agradável do que ter só uma câmara”, explica. O dispositivo tem uma luz como um verdadeiro candeeiro, “mas não tem de estar ligada”, e é dobrável e portátil. A importância de monitorizar a epilepsia durante a noite resulta do facto de “86% das crises à noite passarem despercebidas. E as crises podem ser fatais. Cerca de 90% das mortes acontecem à noite e sendo que cerca de 100 mil pessoas morrem todos os anos” com esta doença crónica, sublinha Vicente Mayer Garção.
“É muito grave. Este período noturno é mesmo o mais assustador, tanto para pais e cuidadores, como também a nível de risco médico”, explica, por isso quando estava a fazer o seu mestrado em Engenharia Biomédica no Técnico, no âmbito do projeto que tinha com o Hospital de Santa Maria, particularmente com as equipas do Lab EEG-Sono, que é a área de monitorização do sono e da epilepsia, foi convidado a pensar numa solução “para poder alertar as pessoas que os seus filhos, por exemplo, pudessem estar a ter crises epiléticas”.
O modelo foi desenvolvido em conjunto com a Engage Design, um estúdio de design de produto do Seixal. Era muito importante a questão do design porque é uma peça que queremos que as pessoas queiram ter em casa e que dobra, portanto super portátil.
Assim nasceu o candeeiro que é “é maioritariamente estético, mas tem este efeito muito poderoso de reduzir o estigma social, de aumentar o bem-estar das pessoas com a sua própria epilepsia”, sublinha o CEO da startup que nasceu de um spin-off após o seu doutoramento. Ao pensar “em inovação médica um bocadinho de forma diferente”, o objetivo foi “desenvolver um dispositivo, sem contacto com o corpo — porque a maioria das pessoas com epilepsia tem sensibilidades sensoriais” –, que além dos alertas, também grava vídeos que podem depois ser analisados pelos médicos para ajudar a controlar a doença.
A Lampsy vai investir cerca de 500 mil euros para fazer o scale-up do seu dispositivo médico e caminhar com vista a certificação FDA e ensaios clínicos.
Até agora o projeto já teve o apoio da Fundação Ageas, da Portugal Ventures, além de “outros investimentos que estão a cair agora”. “No final deste mês deve ser quase um milhão de euros no total levantado”, conta Vicente, onde se incluem os 350 mil euros do pré-acelerador do Conselho Europeu para a Inovação. “Foi excelente, porque é financiamento, mas também é um selo de aprovação da União Europeia”, acrescenta.

Para a candidatura, a Lampsy Helath contou com a ajuda da KPMG. Esta foi a primeira call deste instrumento, mas tem “o mesmo nível de dificuldade dos restantes”, diz Olívia Rocha, senior manager da área de Incentivos da KPMG em Portugal.
“O pré-acelerador vem financiar quase as mesmas ações que o acelerador, ou seja, processos de certificação, planos de negócio, para empresas que já estão muito orientadas para o mercado e que precisam é de organizar a sua história, os planos de negócio e preparar-se para investimentos”, explica a responsável. Mas destina-se apenas “aos países que ainda não estão completamente desenvolvidos e que estão a precisar de um ‘empurrãozinho’ para conseguirem ser tão competitivos como os outros países mais desenvolvidos na Europa”, acrescenta.
A Lampsy Health teve de concorrer com 1.083 propostas, de 22 países. Foram 70 as startups selecionadas entre as quais 11 portuguesas, em diferentes áreas de negócio incluindo dispositivos médicos, terapias para cancro e computação quântica. Este novo instrumento europeu conta com “uma taxa de sucesso de 6%, o que é baixíssimo”, enquadra Olívia Rocha.

Já o Lampsy parece caminhar para uma taxa de sucesso muito superior. “Vai ser vendido principalmente a pessoas com epilepsia, depois eventualmente também a cuidadores. No futuro gostaríamos de ter a comparticipação do SNS, eventualmente de seguradoras, mas é um processo que demora muito tempo”, reconhece Vicente.
Com um custo de 349 euros iniciais e uma subscrição adicional por mês – que o torna “mais acessível do que este tipo de dispositivos” — o Lampsy já pode ser comprado através do site da empresa. E já tem “uma lista de espera de cinco mil pessoas, e metade, são do Reino Unido”, acrescenta.
“O dispositivo ainda não está no mercado, está disponível para pré-venda, mas não está a ser ainda enviado. Estamos a terminar a produção dos próprios dispositivos”, explica Vicente, uma produção que está dividida entre Portugal e a China.
“Produzimos a parte do plástico externo na China, mas a parte interior, a eletrónica, a parte de mais alta tecnologia em Portugal e a montagem do dispositivo também é feita em Portugal”, detalha.
Vicente promete que não vai ficar por aqui e já está a trabalhar “numa série de coisas meio mirabolantes. Temos de trabalhar o que é novo”, conclui.

Um candeeiro que ajuda as pessoas a vigiar a epilepsia durante a noite. Esta é a ideia de Vicente Mayer Garção, CEO da Lampsy Health, que conseguiu um apoio do pré-acelerador do Conselho Europeu para a Inovação. São 350 mil euros que vão ajudar a startup no desenvolvimento e investigação e cujo contrato de financiamento vai agora ser assinado.
A ideia já existe desde 2020 e começou com um candeeiro do Ikea que Vicente fez com o pai, numa garagem. Desde então fez um mestrado, um doutoramento e o projeto foi ganhando solidez “para uma coisa mesmo a sério”, um protótipo. No último ano e meio, está pronto “para construir uma solução industrializável”.
O candeeiro foi logo a primeira ideia para este dispositivo que pretende detetar e registar movimentos associados a crises de epilepsia. Mas houve outras como uma moldura, uma coluna, sempre com o objetivo de “ser invisível”. “Gostávamos mais do candeeiro, mas deixámos tudo assim aberto. Fizemos inquéritos a pessoas com epilepsia, cuidadores, etc e deixámo-los escolher. Por acaso escolheram mais o candeeiro”, conta o jovem CEO em entrevista ao ECO.
“É uma coisa que tem naturalmente no seu quarto, na sua casa e, portanto, mais agradável do que ter só uma câmara”, explica. O dispositivo tem uma luz como um verdadeiro candeeiro, “mas não tem de estar ligada”, e é dobrável e portátil. A importância de monitorizar a epilepsia durante a noite resulta do facto de “86% das crises à noite passarem despercebidas. E as crises podem ser fatais. Cerca de 90% das mortes acontecem à noite e sendo que cerca de 100 mil pessoas morrem todos os anos” com esta doença crónica, sublinha Vicente Mayer Garção.
“É muito grave. Este período noturno é mesmo o mais assustador, tanto para pais e cuidadores, como também a nível de risco médico”, explica, por isso quando estava a fazer o seu mestrado em Engenharia Biomédica no Técnico, no âmbito do projeto que tinha com o Hospital de Santa Maria, particularmente com as equipas do Lab EEG-Sono, que é a área de monitorização do sono e da epilepsia, foi convidado a pensar numa solução “para poder alertar as pessoas que os seus filhos, por exemplo, pudessem estar a ter crises epiléticas”.
O modelo foi desenvolvido em conjunto com a Engage Design, um estúdio de design de produto do Seixal. Era muito importante a questão do design porque é uma peça que queremos que as pessoas queiram ter em casa e que dobra, portanto super portátil.
Assim nasceu o candeeiro que é “é maioritariamente estético, mas tem este efeito muito poderoso de reduzir o estigma social, de aumentar o bem-estar das pessoas com a sua própria epilepsia”, sublinha o CEO da startup que nasceu de um spin-off após o seu doutoramento. Ao pensar “em inovação médica um bocadinho de forma diferente”, o objetivo foi “desenvolver um dispositivo, sem contacto com o corpo — porque a maioria das pessoas com epilepsia tem sensibilidades sensoriais” –, que além dos alertas, também grava vídeos que podem depois ser analisados pelos médicos para ajudar a controlar a doença.
A Lampsy vai investir cerca de 500 mil euros para fazer o scale-up do seu dispositivo médico e caminhar com vista a certificação FDA e ensaios clínicos.
Até agora o projeto já teve o apoio da Fundação Ageas, da Portugal Ventures, além de “outros investimentos que estão a cair agora”. “No final deste mês deve ser quase um milhão de euros no total levantado”, conta Vicente, onde se incluem os 350 mil euros do pré-acelerador do Conselho Europeu para a Inovação. “Foi excelente, porque é financiamento, mas também é um selo de aprovação da União Europeia”, acrescenta.

Para a candidatura, a Lampsy Helath contou com a ajuda da KPMG. Esta foi a primeira call deste instrumento, mas tem “o mesmo nível de dificuldade dos restantes”, diz Olívia Rocha, senior manager da área de Incentivos da KPMG em Portugal.
“O pré-acelerador vem financiar quase as mesmas ações que o acelerador, ou seja, processos de certificação, planos de negócio, para empresas que já estão muito orientadas para o mercado e que precisam é de organizar a sua história, os planos de negócio e preparar-se para investimentos”, explica a responsável. Mas destina-se apenas “aos países que ainda não estão completamente desenvolvidos e que estão a precisar de um ‘empurrãozinho’ para conseguirem ser tão competitivos como os outros países mais desenvolvidos na Europa”, acrescenta.
A Lampsy Health teve de concorrer com 1.083 propostas, de 22 países. Foram 70 as startups selecionadas entre as quais 11 portuguesas, em diferentes áreas de negócio incluindo dispositivos médicos, terapias para cancro e computação quântica. Este novo instrumento europeu conta com “uma taxa de sucesso de 6%, o que é baixíssimo”, enquadra Olívia Rocha.

Já o Lampsy parece caminhar para uma taxa de sucesso muito superior. “Vai ser vendido principalmente a pessoas com epilepsia, depois eventualmente também a cuidadores. No futuro gostaríamos de ter a comparticipação do SNS, eventualmente de seguradoras, mas é um processo que demora muito tempo”, reconhece Vicente.
Com um custo de 349 euros iniciais e uma subscrição adicional por mês – que o torna “mais acessível do que este tipo de dispositivos” — o Lampsy já pode ser comprado através do site da empresa. E já tem “uma lista de espera de cinco mil pessoas, e metade, são do Reino Unido”, acrescenta.
“O dispositivo ainda não está no mercado, está disponível para pré-venda, mas não está a ser ainda enviado. Estamos a terminar a produção dos próprios dispositivos”, explica Vicente, uma produção que está dividida entre Portugal e a China.
“Produzimos a parte do plástico externo na China, mas a parte interior, a eletrónica, a parte de mais alta tecnologia em Portugal e a montagem do dispositivo também é feita em Portugal”, detalha.
Vicente promete que não vai ficar por aqui e já está a trabalhar “numa série de coisas meio mirabolantes. Temos de trabalhar o que é novo”, conclui.
source https://eco.sapo.pt/2026/07/25/lampsy-o-candeeiro-portugues-que-vigia-a-epilepsia/











